segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Produtividade Brasileira

Produtividade Brasileira
São Paulo, 6 de setembro de 2007 - Péssimas notícias. A produtividade do trabalhador brasileiro caiu, na contra mão do que ocorre no mundo, e hoje o país ocupa apenas o 65º lugar no ranking de 124 economias pesquisadas pela OIT - Organização Internacional do Trabalho. O Brasil é superado por Chile, Argentina, Bósnia, Irã, entre outros países e tem taxa equivalentes às de Uganda.
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São Paulo, 6 de setembro de 2007 - Péssimas notícias. A produtividade do trabalhador brasileiro caiu, na contra mão do que ocorre no mundo, e hoje o país ocupa apenas o 65º lugar no ranking de 124 economias pesquisadas pela OIT - Organização Internacional do Trabalho. O Brasil é superado por Chile, Argentina, Bósnia, Irã, entre outros países e tem taxa equivalentes às de Uganda.
O valor agregado produzido por um trabalhador brasileiro caiu de US$ 15 mil por ano para US$ 14,7 mil, enquanto um trabalhador americano produz US$ 66,8 mil, irlandeses US$ 55,9 mil, franceses US$ 54,6 mil, etc. Em contrapartida, a produtividade de um trabalhador chinês dobrou entre 1996 e 2005 atingindo US$ 12,5 mil, e deverá superar a produtividade do brasileiro até 2010. Além do mais na região da Ásia, China em destaque, o trabalhador trabalha 2.200 horas por ano, e no Brasil este número fica na média de 1.600 horas por ano, ou seja, um trabalhador chinês trabalha na prática, 60 dias de 8 horas a mais que o brasileiro por ano.
O que isso significa? Definitivamente estamos ficando para trás. Nestes anos, a partir de 1980, o mundo passou por um forte processo de mudanças e reestruturações econômicas e sociais. Foram os anos do grande ganho de produtividade impulsionados e incentivados pela automação e informatização em larga escala e a busca de soluções compensatórias ao explosivo aumento do preço da energia. Considerando os números americanos e europeus pode-se dizer que metade da quantidade de trabalhadores passou a produzir o dobro de produção dos equivalentes dos anos 80 neste século 21. Mais gente fazendo mais coisas, gerando riquezas, impulsionando a economia. Mercados esgotados obrigaram a globalização e uma certa dose de desemprego estrutural. Mesmo assim, a qualidade de vida e os Índices de Desenvolvimento Humano dessas regiões cresceram e atingiram níveis altíssimos.
Do outro lado, no Brasil esses mesmos 30 anos assistiram a um crescimento explosivo do desemprego que passou de taxas da ordem de 4% (pleno emprego) na década de 80, para os atuais 10%, equivalentes aos padrões europeus. Em paralelo, pressionado pelos direitos definidos na constituição de 88, o peso do Estado atinge incríveis 37% do PIB. Tudo posto na mesma panela o brasileiro consome menos do que poderia, perde poder aquisitivo porque sustenta um Estado pesado, desce para um nível de sobrevivência e, finalmente, bate recordes de assistencialismo. Hoje 46 milhões de brasileiros, ¼ da sua população, recebe e vive de "esmolas do Estado" - o Bolsa Família. Nossos governantes continuam humildes e só olham para os resultados das próximas eleições. Como temos eleições a cada 2 anos, nossas obras, metas e objetivos tem que ser definidas para 2 anos.
Nesse mundo do curto prazo como conseguir aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro? Como melhorar a educação e a qualificação? Como fazê-lo ter mais eficácia e assiduidade? Como melhorar sua alimentação e saúde?
Temos que exigir que nossos governantes pensem e ajam a longo prazo.
(Gilberto Guimarães é diretor da multinacional francesa BPI no Brasil, empresa que atua na área de consultoria em RH e reorientação profissional especializada - outplacement - com mais de 200 escritórios pelo mundo. Atua também como professor e consultor da Fundação Getúlio Vargas, da GV Consult e do Ibmec São Paulo. É engenheiro pela Escola Politécnica da USP, com MBA pela FGV e cursos de especialização no IMS - Alemanha. Tem experiência em processos de desenvolvimento e reestruturação, planejamento estratégico e gestão empresarial, tendo sido alto executivo dirigente em empresas de porte como Grupo Saint Globain (Santa Marian, Brasilit) e Grupo Paramount-Lansul, além de ser presidente do Instituto Amigos do Emprego, uma ONG que promove debates e eventos sobre carreira e emprego. Recentemente foi eleito Coordenador Executivo Nacional do PNBE - Pensamento Nacional das Bases Empresariais.)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Policiais são acusados de incriminar vítima de abuso

Policiais são acusados de incriminar vítima de abuso
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GILMAR PENTEADOda Folha de S.Paulo
Policiais militares são acusados de forjar provas para incriminar uma jovem vítima de abuso sexual, que denunciou os próprios PMs pelo crime, e também uma líder de direitos humanos que atua na zona leste de São Paulo.
Os policiais envolvidos são do 19º Batalhão da PM. Em duas ocorrências, no mês passado, eles apresentaram provas de suposto envolvimento da jovem e da advogada Valdênia Paulino, do centro de direitos humanos de Sapopemba (zona leste), com o tráfico de drogas.
A jovem foi presa em 15 de setembro por um dos PMs acusados de ter abusado sexualmente dela em janeiro, na quadra de uma escola municipal em Sapopemba. O nome de Valdênia foi parar em um caderno com supostas contas do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Representantes de entidades e de órgãos de direitos humanos, entre eles a secretaria nacional que trata do tema, acusam os PMs de armarem as provas. Ontem, o grupo percorreu vários órgãos públicos, como a Secretaria da Segurança Pública, para cobrar o esclarecimento dos casos e o afastamento dos policiais envolvidos.
"A armação [policial] foi primária. As estratégias de criminalizar e desmoralizar os defensores de direitos humanos substituíram o que antes era simplesmente contratar um pistoleiro para matar", afirmou Fernando Matos, coordenador-geral do programa de proteção de defensores de direitos humanos da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
A perseguição policial começa, segundo as entidades, em janeiro, depois que a jovem de 18 anos afirma ter sido abusada sexualmente por seis PMs. Ela reconheceu dois: os soldados Edmilson Cristiano Miranda e Alexandre Tomaz Camargo. Valdênia acompanhou o reconhecimento. A acusação foi confirmada pela Corregedoria da PM, que acusou formalmente os dois PMs à Justiça Militar.
Foi o mesmo soldado Miranda que fez a prisão da jovem. No boletim de ocorrência, ele afirma que a jovem portava droga e R$ 100. Ela nega. Testemunhas também negaram ter visto a jovem com a droga. Nove dias depois, a Justiça suspendeu a prisão e solicitou dados à Corregedoria da PM sobre o envolvimento do policial no caso.
No dia 27 do mês passado, policiais da Força Tática do 19º Batalhão estouraram o que seria uma central do PCC. O nome de Valdênia aparece no suposto livro de contas. "A armação é tosca. Colocaram meu nome com uma caligrafia totalmente diferente das letras da página", afirma Valdênia. Ela não foi acusada formalmente.
Outro lado
Os soldados Edmilson Cristiano Miranda e Alexandre Tomaz Camargo não foram localizados ontem para falar sobre as acusações de armação de provas. À Corregedoria da PM, os dois negaram envolvimento no caso de abuso sexual da jovem.
O capitão Marcelino Fernandes, porta-voz da Corregedoria, afirma que a denúncia de provas forjadas está sendo investigada há 15 dias. Segundo ele, Miranda e Camargo serão afastados se os indícios forem confirmados. Ele afirma que, no caso de abuso, os PMs foram acusados pela Corregedoria, mas a Justiça Militar pediu mais investigações. Por isso, estavam em serviço externo.
O secretário-adjunto da Segurança Pública, Lauro Malheiros Neto, disse, por sua assessoria, que o afastamento dos PMs será uma avaliação técnica de quem conduzir as investigações.