segunda-feira, 10 de setembro de 2007

delegados da PF em SP por corrupção

segunda-feira, 10 de setembro de 2007, 17:20 Onlinesegunda-feira, 10 de setembro de 2007, 17:30 Online
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Condenados ex-delegados da PF em SP por corrupção
BRÁS HENRIQUE - Agencia Estado
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RIBEIRÃO PRETO - Os ex-delegados da Polícia Federal (PF) de Ribeirão Preto, Wilson Alfredo Perpétuo e José Bocamino, foram novamente condenados pelo juiz da 4ª Vara Federal do município paulista, Augusto Martinez Perez. Os condenados foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em julho de 2004, logo após a Operação Lince ser deflagrada para apurar formação de quadrilha de roubos de cargas, adulteração de combustíveis e fraudes fiscais praticadas por policiais federais. O MPF vai recorrer para aumentar as penas dos condenados.Nesse processo ainda foram condenados, por corrupção e uso de atestado falso, o médico Tomas Young Joon Kim e a psicóloga Rosângela Papa Marchi. Essa é a oitava condenação em primeira instância de Perpétuo, que continua preso e é o único que não poderá recorrer em liberdade, e a terceira de Bocamino. Perpétuo cumpre várias penas devido às várias condenações. Bocamino ficou preso preventivamente até janeiro, quando foi solto. Kim e Rosângela responderam o processo em liberdade.A sentença judicial acolheu parcialmente a acusação do MPF, que denunciou os policiais federais por abuso de seus cargos em trocas de favores, caracterizando corrupção. No processo, provou-se que Kim emitiu atestados médicos falsos para Rosângela, para que ela se ausentasse do trabalho. Os atestados foram solicitados por Perpétuo, a pedido da psicóloga. O médico recebeu em troca o porte de arma de fogo. Conversas telefônicas gravadas, com autorização judicial, confirmam a combinação do crime. Em benefício de Bocamino, Kim empregou em sua clínica a namorada do filho do delegado, mas isso não configura crime.

domingo, 9 de setembro de 2007

estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Se o trabalhador argentino é muito mais eficiente que o brasileiro, por que a indústria argentina recorre a tantas barreiras contra a importação de produtos do Brasil? A pergunta é inevitável quando se lêem superficialmente as conclusões de estudo recém-divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo esse estudo, os brasileiros empregados são muito menos produtivos que os americanos, europeus, chineses, coreanos, chilenos, venezuelanos e argentinos. Pior que isso: são hoje menos produtivos do que eram há um quarto de século. O assunto vale um exame cuidadoso, mas desde logo uma conclusão parece incontornável: improdutivo é o Brasil, com sua mistura de modernidade e de atraso, e isso se explica principalmente pela ineficiência do setor público. É preciso ir por partes. Em primeiro lugar, os setores mais envolvidos na concorrência global ganharam eficiência desde o começo dos anos 90. A maior parte da indústria mudou profundamente nesse período. As montadoras de automóveis deixaram de produzir carroças, passaram a fabricar veículos modernos e ficaram mais próximas dos padrões internacionais. A siderurgia, privatizada, livrou-se do excesso de peso da administração federal e conquistou novos mercados. Os setores têxtil e de calçados sobreviveram aos primeiros choques da última década, modernizaram-se e continuam na batalha, apesar da concorrência chinesa e das barreiras enfrentadas nos principais mercados. A indústria de papel e celulose continua entre as mais competitivas do mundo e o sucesso internacional do agronegócio é bem conhecido. Na indústria, na mineração e no agronegócio, portanto, houve transformações bem visíveis, ocasionadas principalmente pela abertura comercial e pelas privatizações. Não tem sentido, portanto, qualificar essas áreas da economia brasileira como menos produtivas do que eram em 1980. Mas é preciso levar em conta outros dados. Boa parte da população empregada trabalha em setores ou subsetores de baixa produtividade, seja esta calculada fisicamente ou com base no valor agregado. O setor de serviços, no Brasil, tem algumas áreas modernas e eficientes, como a financeira, mas são ilhas de excelência. A expressão “economia de serviços”, no caso brasileiro, designa uma realidade muito diferente da observada na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, a atividade rural é heterogênea em termos tecnológicos.Ao lado de unidades eficientes - grandes e pequenas -, voltadas para o mercado, subsistem propriedades exploradas por trabalhadores muito pobres e nem sempre capazes de produzir o suficiente para uma vida decente. A política agrária tem sido inepta para absorver a maior parte desses trabalhadores no mundo moderno - até porque a modernidade é geralmente abominada pelos executores dessa política. O desempenho brasileiro, na comparação internacional, é também prejudicado por outros fatores. O baixo crescimento econômico é um deles. Mesmo os trabalhadores empregados nos setores mais eficientes poderiam produzir mais, se as empresas funcionassem num ambiente mais favorável. Um sistema tributário irracional dificulta o investimento e prejudica tanto produtores como consumidores. A baixa qualidade da administração pública emperra as decisões políticas, dificulta os investimentos do setor público e impossibilita a expansão e a modernização da infra-estrutura. Tudo isso resulta em maiores custos e, portanto, em menor eficiência. Nas empresas do setor formal, um número enorme de horas é consumido no atendimento de obrigações burocráticas impostas pelo governo. As operações administrativas necessárias ao cumprimento das obrigações fiscais são muito mais onerosas do que em outros países. A economia brasileira, portanto, é duplamente prejudicada pela baixa qualidade do setor público: nem absorve o enorme contingente de trabalhadores pobres e despreparados em atividades minimamente produtivas nem consegue elevar o padrão daqueles já incorporados aos setores modernos. Grande parcela do dinheiro entregue ao governo para investimentos e para prestação de serviços é desperdiçada. Parte desaparece no ralo da corrupção, parte se esvai na sustentação de um aparelho governamental muito ineficiente. É esse o verdadeiro recado transmitido pelo estudo da OIT.