Indústria cresce abaixo do PIB desde 2004
Nilson Brandão Junior
A indústria de transformação cresce abaixo da economia brasileira há nove trimestres seguidos e perde no Produto Interno Bruto (PIB). Nos 12 meses encerrados em março, a velocidade de crescimento do setor manufatureiro foi de 1,5%, o que equivale a menos da metade do avanço do conjunto da economia (3,8%). Para especialistas, o efeito câmbio principalmente sobre as importações é o responsável pela tendência.Cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do Estado mostra que, entre o segundo trimestre de 2004 e o primeiro deste ano, a indústria de transformação cresceu 7,5%, enquanto o PIB avançou 11,7% e o setor de serviços, 13,3%. “A indústria está perdendo substância”, diz o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira. Depois de avançar por três anos seguidos e alcançar 19,2% do PIB em 2004, a fatia da indústria da transformação dentro da economia deverá encolher este ano e ficar abaixo dos 18%, estima o instituto. Entre 2005 e 2006, ficou em 18,4% da riqueza gerada no País.Pereira explica que a utilização de componentes e insumos importados está sendo cada vez maior na fabricação de produtos finais no País. Ele cita o caso dos computadores. “Esse setor importa muito e basicamente faz a montagem do produto. Ou seja, tem agregação de valor pequena a partir da indústria nacional”, afirma. Em outras palavras, ainda que a produção da informática cresça muito, a acumulação de valor - captada pelo PIB - é pequena.Para efeito de comparação, cada ponto porcentual do PIB num ano equivale a R$ 23 bilhões (cálculo feito a partir do PIB de 2006). Enquanto cai o peso da indústria da transformação, sobe a participação do setor de serviços, que passou de 62% para 64% entre 2004 e 2006. O economista do Iedi reconhece que, quanto mais um país se desenvolve, menor fica o peso do setor manufatureiro. Mas diz que isso ocorre em países com renda per capita acima de US$ 15 mil ao ano. “No Brasil, é de US$ 5 mil. O encolhimento da indústria é precoce”, pondera.O setor preocupa o governo a ponto de ter sido destacado no discurso de posse do economista Luciano Coutinho na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em maio. “A indústria de transformação precisa voltar a funcionar como motor propulsor da economia brasileira. Embora hoje represente apenas 18% do PIB, é fundamental. Suas conexões para frente e para trás promovem efeitos dinâmicos sobre 70% da economia”, declarou.Coutinho disse ainda que, para cumprir o que chamou de “papel-chave”, além de “condições macroeconômicas mais benignas”, como taxas de juros e de câmbio, a indústria deveria acelerar os processos de inovação.
domingo, 17 de junho de 2007
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